Uma algodoeira de grande porte e uma fábrica de ração foram flagradas utilizando energia elétrica de forma irregular na zona rural de Campo Verde, a cerca de 100 quilômetros de Primavera do Leste. As ocorrências foram identificadas durante mais uma etapa da Operação Energia Limpa, realizada em conjunto pela Energisa Mato Grosso, Polícia Civil e Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec).

De acordo com as informações da operação, os dois estabelecimentos estavam conectados diretamente à rede de alta tensão, com intervenções que burlavam o sistema de medição e impediam o registro do consumo real de energia utilizado pelas atividades industriais.

Na algodoeira, os técnicos constataram que todo o conjunto de medição havia sido removido. Foram realizadas buscas na propriedade na tentativa de localizar o equipamento, mas o medidor não foi encontrado. O desaparecimento do dispositivo também deverá ser investigado no decorrer da apuração da fraude.

Os proprietários e gerentes das empresas não estavam nos locais no momento da fiscalização, mas foram identificados. Segundo a operação, eles deverão responder criminalmente pelas irregularidades relacionadas ao furto de energia.

Riscos vão além do prejuízo financeiro

Segundo a Energisa, ligações clandestinas diretamente em redes de alta tensão podem provocar sobrecarga no sistema de distribuição, além de aumentar os riscos de oscilações e falhas no fornecimento de energia para a região.

A prática também representa risco de acidentes graves para trabalhadores, moradores e pessoas que realizam as intervenções clandestinas, podendo provocar choques elétricos de alta voltagem, incêndios e até acidentes fatais.

“Não estamos falando apenas de consumo sem pagamento. Uma intervenção clandestina em instalações usadas por empreendimentos de grande porte movimenta uma carga elevada de energia e cria um risco que ultrapassa os limites da propriedade”, destacou Luciano Lima, gerente de Combate a Perdas da Energisa Mato Grosso.

Segundo ele, a Operação Energia Limpa reúne fiscalização técnica, perícia e investigação policial para identificar e interromper fraudes e responsabilizar os envolvidos.

Operação já resultou em 180 prisões

O caso registrado em Campo Verde faz parte de uma série de ações realizadas para combater fraudes e furtos de energia em Mato Grosso.

Conforme dados divulgados pela Energisa, nos primeiros oito meses de 2026, a Operação Energia Limpa contabilizou 180 prisões no estado relacionadas a adulterações de medidores e ligações clandestinas.

Ainda segundo a empresa, as fiscalizações realizadas no primeiro semestre identificaram aproximadamente 20 GWh de energia furtada, volume estimado como suficiente para abastecer cerca de 90 mil residências durante um mês.

A operação integrada segue com ações de fiscalização e investigação em diferentes regiões de Mato Grosso, com foco na identificação de ligações clandestinas e outras formas de fraude no consumo de energia elétrica.

Fonte: AlertaBG

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