Para o diretor executivo do Sindicato das Indústrias de Bioenergia do Estado de Mato Grosso (Bioind MT), Wellington Andrade, a decisão representa um avanço estratégico para o país e para o setor produtivo.
"A adoção do E32 é uma decisão estratégica para o futuro energético do Brasil. Ela amplia o uso de um combustível renovável produzido no país, reduz a exposição às oscilações do mercado internacional de derivados de petróleo e cria previsibilidade para uma cadeia que vem investindo continuamente em inovação, eficiência e expansão da capacidade produtiva", afirmou.
Segundo Andrade, Mato Grosso reúne condições que o colocam em posição de destaque nesse novo cenário. O estado se consolidou nos últimos anos como um dos maiores produtores nacionais de etanol, impulsionado tanto pela produção tradicional a partir da cana-de-açúcar quanto pela rápida expansão das usinas de etanol de milho.
"A complementariedade entre cana e milho amplia a oferta de combustível renovável ao longo de todo o ano, atrai investimentos, gera empregos e agrega valor à produção agropecuária. Essa experiência demonstra que é possível expandir a produção com competitividade e sustentabilidade", acrescentou.
Demanda maior por etanol
A expectativa do setor é que a adoção do E32 gere uma demanda adicional próxima de 900 milhões de litros de etanol anidro por ano. O aumento no consumo pode contribuir para reduzir os estoques acumulados pelas usinas e melhorar a remuneração dos produtores.
O cenário ocorre em um momento de expansão da capacidade industrial brasileira, especialmente nas plantas de etanol de milho, segmento em que Mato Grosso lidera os investimentos nacionais. Nos últimos anos, diversas unidades foram instaladas ou ampliadas no estado, consolidando-o como referência na diversificação da matriz de biocombustíveis.
Além do efeito sobre a produção, o setor avalia que o aumento da mistura pode reduzir a dependência brasileira da gasolina de origem fóssil e amenizar os impactos das oscilações do mercado internacional de petróleo sobre os preços dos combustíveis.